
População Solo no Brasil: Crescimento de 52% Transforma o Mercado Imobiliário e Impulsiona Imóveis Compactos em Curitiba
Análise do Impacto do Crescimento de Domicílios Unipessoais no Mercado Imobiliário Brasileiro
O Brasil tem testemunhado uma transformação demográfica significativa com o aumento expressivo da população que opta por morar sozinha. Nos últimos 12 anos, a proporção de brasileiros em domicílios unipessoais cresceu 52%, atingindo 18,6% do total de lares em 2024, o que representa cerca de 14,4 milhões de residências ocupadas por uma única pessoa. Em 2012, essa proporção era de 12,2%, com 7,5 milhões de domicílios.
Fatores Impulsionadores dessa Tendência
Diversos fatores sociais e econômicos contribuem para essa mudança. O envelhecimento da população é um dos principais, com a maior expectativa de vida e a autonomia crescente dos idosos permitindo que muitos mantenham sua independência habitacional. Além disso, mudanças comportamentais e sociais desempenham um papel crucial, incluindo a busca por maior independência individual, o adiamento do casamento, o aumento das taxas de divórcio e a crescente participação feminina no mercado de trabalho, que confere maior autonomia financeira.
A migração para trabalho também é um fator relevante, com profissionais se deslocando para outras cidades ou estados e, frequentemente, optando por morar sozinhos. A maior independência financeira geral da população, que permite sustentar um domicílio individualmente, reforça essa tendência.
Perfil Demográfico dos Moradores Solitários
O perfil demográfico dos indivíduos que moram sozinhos é diversificado. A maior parcela, cerca de 57,2% em 2024, está na faixa etária de 30 a 59 anos. Contudo, a população idosa (60 anos ou mais) também representa um segmento significativo e em crescimento. Em termos de gênero, os homens constituem a maioria, com 55,1%, enquanto as mulheres representam 44,9%, embora a proporção de mulheres chefes de domicílio tenha aumentado consideravelmente. Geograficamente, estados como Rio de Janeiro (22%) e São Paulo (18,4%) apresentam os maiores percentuais de pessoas vivendo sozinhas.
Impactos e Tendências no Mercado Imobiliário
O crescimento dos domicílios unipessoais tem gerado impactos profundos e transformadores no mercado imobiliário, moldando a demanda e a oferta de moradias. Em cidades como Curitiba, essa tendência é particularmente evidente, com a capital paranaense despontando como um dos mercados mais aquecidos para imóveis compactos e, em 2025, liderando a demanda imobiliária nacional.
1. Aumento da Demanda por Imóveis Compactos: Há uma clara e crescente preferência por apartamentos menores, como estúdios, lofts e unidades de 1 ou 2 quartos. Esses imóveis são mais funcionais, oferecem custos de manutenção mais baixos e se alinham ao estilo de vida de quem busca praticidade e otimização de espaço. Em Curitiba, por exemplo, o mercado de studios e apartamentos compactos de alto padrão tem crescido significativamente, especialmente na região central.
2.Valorização de Localização e Infraestrutura: A conveniência é um fator primordial. Moradores solos buscam imóveis próximos a centros urbanos, com fácil acesso a transporte público, serviços essenciais (supermercados, farmácias) e opções de lazer. A localização estratégica e uma infraestrutura completa tornam-se diferenciais competitivos.
3.Surgimento de Novos Modelos de Moradia: O mercado tem respondido com a popularização de conceitos como colivings e apartamentos com serviços (serviced apartments). Essas modalidades oferecem não apenas um espaço para morar, mas também praticidade, segurança e, no caso dos colivings, a oportunidade de interação social, mitigando a solidão e promovendo a comunidade.
4.Design e Funcionalidade Otimizados: O design de interiores para esses imóveis foca na otimização de cada metro quadrado, com soluções inteligentes e multifuncionais que maximizam o uso do espaço, mesmo em ambientes pequenos.
5.Impacto nos Preços: A alta demanda por imóveis compactos em regiões valorizadas tem impulsionado os preços de aluguel e venda nesse segmento específico do mercado. Em Curitiba, o valor do metro quadrado para imóveis compactos de alto padrão tem apresentado valorização expressiva.
6.Mercado de Aluguel Aquecido: Muitos indivíduos que moram sozinhos, especialmente os mais jovens, optam pelo aluguel devido à flexibilidade que oferece e à menor burocracia inicial em comparação com a compra de um imóvel.
Perspectivas Futuras
A tendência de crescimento dos domicílios unipessoais é robusta e deve persistir, impulsionada pelas contínuas mudanças demográficas e sociais. O mercado imobiliário, portanto, precisa continuar se adaptando, oferecendo produtos e serviços cada vez mais alinhados às necessidades e expectativas desse perfil de consumidor. Isso inclui não apenas a oferta de imóveis compactos e bem localizados, mas também a incorporação de tecnologias e automação residencial que facilitem a vida em pequenos espaços.
Este cenário representa uma oportunidade estratégica para construtoras, incorporadoras e investidores que souberem inovar e atender a essa demanda crescente por moradias que reflitam o estilo de vida contemporâneo de quem escolhe morar sozinho.
Autor: Alfredo Prado – Consultor de Investimentos Imobiliários
